terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Veuve-Clicquot processa produtor italiano por causa da cor do rótulo


A Veuve-Clicquot, uma das mais emblemáticas produtoras de champagne, a segunda maior, insurgiu um processo legal contra uma pequena produtora vínica italiana, alegando que o rótulo que esta produtora usa num vinho é muito semelhante ao seu, estando por isso, a plagiar a sua arte.

Efectivamente, a Veuve-Clicquot determina que o rótulo de Ciro Picariello usa o Pantone 137C, o tal amarelo tão marcante que estamos habituados a ver nas prateleiras repletas deste champagne. No entanto, ao analisarmos ambos os rótulos, mesmo sem muita atenção, conseguimos ter a clara percepção de que a cor não é a mesma e que, ainda assim, não existe nenhum símbolo susceptível de ter sido plagiado, o que tira qualquer fundamento a esta acusação.
O que nos leva a uma outra questão: será que haverá algo que não estamos realmente a ver?

O que se passará realmente por detrás desta paleta de cores?

Uma marca megalómana como a Veuve-Clicquot não precisa de má publicidade para vender, já que está num patamar de produção muito acima da Ciro Picariello: as 50.000 garrafas produzidas pela Ciro nunca poderão causar impacto negativo contra os 18 milhões de garrafas anuais da Veuve-Cliquot. Bem… na verdade, poderão sim, e esta notícia é um caso desses.
A perspectiva mais interessante desta notícia é que, mesmo sendo uma acusação que já tem algum tempo, e tendo rebentado na comunicação social mundial apenas dia 20/1, já existem milhares de manifestos online contra a Veuve-Clicquot, tendo sido já criada a hashtag que ridiculariza esta acção, apoiando a pequena produtora italiana: #boicottalavedova, ou seja, “boicote à viúva”.

Os manifestos vão desde opiniões sobre o ridículo que é argumentar um “amarelo contra um laranja”, desde a negatividade que é uma marca tão grande processar uma marca mais pequena, por razões demasiadamente duvidosas, até ao extremo em que muitos clientes fidelizados se sentem ofendidos por a marca ter esta atitude globalmente reprovável.

Existe claramente uma péssima gestão de relações públicas e comunicação, numa marca que se deveria posicionar de acordo com o patamar que conquistou. A opinião pública fiel à marca deveria ter sido preservada, de modo a preservar não a tradição ou o passado da Veuve-Clicquot, mas sim o seu futuro.

Com este tipo de comunicação, a única empresa que está a sair bem vista é a Ciro Picariello que, além de ser colocada no mapa, ganhou mais “followers” do que qualquer campanha de marketing conseguiria alcançar, neste tão curto espaço de tempo.

Ainda muita tinta vai borbulhar sobre este assunto nas próximas semanas, mas a partir de hoje, o Pantone 137C nunca mais será o mesmo.

Diana Teixeira de Carvalho

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