terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Essência do Vinho “já não é” apenas aqueles 4 dias.


A Essência do Vinho é um dos maiores eventos vínicos nacionais, senão o mais importante e mediático de todos. 

Durante 4 dias, consegue reunir milhares de apreciadores de vinho, e de diversas placas de consumo: desde produtores, consumidores, jornalistas vínicos, críticos e profissionais do vinho. 

A maioria destes visitantes são nacionais, mas no entanto uma fatia bastante considerável é já internacional e desloca-se propositadamente para este evento. 

Para não falar ainda, nos últimos anos, da componente gastronómica que já não se consegue dissociar da área vínica. 

Um evento localizado no belíssimo edifício do Palácio da Bolsa, para além de toda a graciosidade que as salas interiores nos dão, ainda conferem uma vista panorâmica sobre a sala inferior, essa repleta de mesas com produtores a “dar à prova” os seus vinhos, na tentativa de fecharem negócios proveitosos para o ano seguinte. 

Declaro-me como uma fã incondicional deste evento, no qual conheci algumas das personalidades vínicas que sempre acompanharam a minha incursão profissional nesta área. São quatro dias de provas, intenso trabalho e muitas conversas, muita aprendizagem e, claro, para muitos, muita diversão. 

Muito se poderia escrever sobre a arquitectura, o evento, as iniciativas, e toda a envolvência que consegue afinar na cidade do Porto durante estes quatro dias, mas irei falar de uma outra perspectiva: a Essência do Vinho “já não é” apenas aqueles 4 dias.

Tudo começa muito antes, na comunicação deste evento. Confesso que não vejo uma comunicação assertiva, ao nível do que este evento poderia ser.

Temos aqui diversos tipos de comunicação paralela e interceptada, sendo que a primeira é a comunicação entre Essência do Vinho e consumidor do evento, o visitante. 

A praticamente uma semana antes do início do evento, quase nenhuma informação havia sobre o mesmo, a não ser alguns apontamentos no site. 

O programa ainda não havia sido divulgado, nem os expositores, nem tampouco as actividades paralelas. 

As social media inerentes à organização também não tinham nenhuma informação concreta e válida, a ponto de dar efectivamente, razões e mais-valias ao visitante para adquirir bilhete para este ano. 

Ao fazermos uma breve comparação com outros eventos vínicos semelhantes a nível internacional, vemos que a organização da Essência do Vinho está a 20% daquilo que poderia estar a nível de comunicação eficaz e ao patamar de “melhor evento vínico nacional”. 

Mas esta lacuna de comunicação que eu considero uma falha, pode ser aos olhos de muitos apenas mais um pormenor, pois o número dos visitantes continua a aumentar de ano para ano, são milhares os que continuam a visitar o evento.

Outro tipo de comunicação que é feita neste tipo de evento é a que existe entre o expositor e o consumidor final, que neste caso é entre o produtor e o cliente que compra vinho na garrafeira e leva para casa. Aqui as falhas são muitas e gravíssimas. Um expositor faz investimento monetário e de recursos humanos para marcar presença neste evento, mas a verdade é que ainda não sabe como tirar os melhores benefícios disso.

Apesar de estar na área dos vinhos há poucos anos, considero-me bastante activa e atenta às campanhas que se vão fazendo nesta área e posso dizer, com toda a certeza, que mesmo estando ligada a bases de dados vínicas, ter subscrito a maioria das newsletters dos produtores, ou ter o meu feed sempre no “on” para as redes sociais, jornais, revistas… pouquíssimos foram os produtores que comunicaram e incentivaram a presença do seu consumidor no evento. Dizer que vão lá estar, convidar para os visitar, tudo isto faz parte. 

Mas ainda assim, a comunicação poderá ser ainda mais profunda. O engajamento entre produtor e consumidor pode ser muito maior. 

Tudo começa muito antes da célebre quinta-feira profissional do evento: muito antes disso, é necessário justificar o investimento monetário que se faz neste evento. 

A comunicação pré-evento, de acordo com o gráfico é tão ou mais importante do que a comunicação durante o evento. Só desta forma será possível manter uma comunicação eficaz com o mesmo consumidor depois do evento terminar. 


Com isto não quero dizer que os produtores não sabem comunicar com os seus clientes: estou a afirmar que não o estão a fazer.

Não estão a comunicar, não estão a valorizar e não conseguem criar valor ao terem milhares de pessoas a provar os seus vinhos, durante 4 dias. 

Quanto vale um visitante da Essência do Vinho para cada produtor? 
Quanto vale cada minuto na mesa de provas? 
No final do evento, quanto vale o contacto que trago na mão? 
O que vou fazer, como vou fazer para valorizar este recurso? 

Porque já não podemos ir para um evento a pensar “que temos que lá estar, o retorno vem depois”. 

Hoje em dia, com a velocidade a que vivemos o ROI começa muito antes do evento começar.

Muito poderia ser falado sobre a comunicação positiva e activa que poderia ser feita por todos, para que o melhor evento vínico nacional pudesse também ser uma referência de boas práticas comunicacionais a nível internacional, mas nunca o fazemos, porque nos habituamos a fazer sempre igual: muitos já fazem diferente, mas são poucos.


Deixo este artigo como forma de alerta para os expositores, e um apreço à organização da Essência do Vinho por mais um ano nos dar a oportunidade de comunicar com o mercado. 

No entanto, não quero terminar sem deixar uma palavra de apreço específica a Nuno Guedes Vaz Pires, Director Executivo da Wine que, de forma directa ou indirecta, consegue comunicar este evento com grande profundidade e panorâmica.

Diana Carvalho

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