sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pode o Protocolo Ter Emoções?

Falar de protocolo, no que diz respeito à sua prática, à sua aplicação em cerimónias e eventos, conduz-nos muitas vezes a conversas aparentemente frias e desprovidas de sensações, centradas em regras em leis e em costumes.
Por isso achei interessante refletir sobre esta questão. Pode o protocolo ter emoções?
Será que a aplicação das regras e de costumes protocolares em determinados eventos, não retiram obrigatoriamente a esses mesmos eventos, alguma da emoção que por certo serão inevitáveis nesses mesmo momentos, mas em que o protocolo obriga em grande parte aos principais atores resguardarem as suas próprias emoções.


Se pensarmos num conjunto de eventos, que facilmente nos vêm à cabeça, por certo que poderemos encontrar facilmente vários exemplos que nos responsam positivamente mas também negativamente à pergunta formulada.


O protocolo, por definição consiste na aplicação de regras e costumes que definem os momentos de um determinado momento e qual o lugar de cada um nesses eventos.

Por aqui, temos uma ideia de um protocolo, inevitavelmente necessário, mas aparente frio e rígido à partida. A ideia correta da aplicação do protocolo com bom senso e com a flexibilidade necessária em cada um dos momentos, abre um pouco o a janela da rigidez protocolar, para um olhar um pouco mais “ humano”.

Ora se a rigidez, o recurso a leis e costumes é fundamental para o sucesso da sua aplicação, em muitos eventos, são os próprios atores ou participantes, que com mais ou menos destaque, acabam por inevitavelmente deixar cair as suas máscaras protocolares, para revelarem os seus sentimentos e emoções em determinados momentos. E aqui, ao contrário de todo o trabalho de definição protocolar das cerimónias, as emoções não são preparadas por antecipação, mas sim momentos resultantes do sentimento que o próprio momento protocolar induz.


Os casamentos e os funerais, são um exemplo disto mesmo. Referindo-me apenas a eventos deste género que pelos seus atores, são evento altamente mediáticos, são vários os exemplos em que toda a preparação meticulosa das cerimónias, acaba por ser muitas vezes abalroada pela demonstração de emoções, que não alterando o curso do alinhamento previsto, ficam marcadas nas nossas memórias por muito tempo.


Quem não se lembra da continência feita pelo filho de JF Kennedy, John JR, à passagem do caixão deste. A emoção geral e sentida por milhares de pessoas e por intervenientes principais no funeral de Diana, nomeadamente no momento em que Elton Jonh interpretou a música adaptada ao momento, England´s Rose. A entrega da Taça de Campeão do Mundo, no último Mundial de futebol, em que os atores principais, A presidente do Brasil e o Presidente da FIFA claramente afetados pelas criticas e pelo receio de reações negativas de quem assistira ao jogo, acabaram por passar a Taça dentre eles de forma vertiginosa, como se própria queimasse nas mãos. Os emotivos momentos do entoar de hinos nacionais, nomeadamente em eventos desportivos e como acontece sempre nos Estados Unidos da América.


Estes e outros que poderiam servir de exemplo, são demonstrativos momentos, de como em ventos com fortes níveis de preparação protocolar, as emoções acabam por surgir e marcar o evento, acabando-se, apesar que de forma errada, se ouvir muitas vezes a imprensa referir, que o protocolo foi quebrado, porque este sorriu demais ou o outro chorou de mais.


O protocolo não é quebrado por emoções. As emoções sãos naturais ao ser humano e por isso naturais mesmo quando o protocolo regre cerimónias e eventos e sem dúvida que na minha opinião e aproveitando o último exemplo que vou deixar, que eventos sem emoções, não sãos bons eventos. 
Por isso, sempre que num evento, por mais cerimonial que seja, se detetam emoções isso significa que se conseguiu mexer com os intervenientes dos mesmos, sejam rainhas ou reis.


Talvez pela sua origem argentina, quando a agora Rainha da Holanda, Maxima Zorreguieta, se casou com o Príncipe herdeiro, ao ouvir os acordes e a interpretação de um dos mais tradicionais tangos argentinos de Piazzolla, se emocionou de uma forma única.  E porquê? 

Porque o protocolo, impedira os seus pais de estarem presentes na cerimónia, por ligações ao regime ditatorial argentino do General Videla dos anos 70, e foi a música, foi o Adiós Nonino, que trouxe a família de Máxima ao casamento, sendo assim contornado o protocolo… com muita emoção.





Miguel Macedo

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