quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Chris Christie: a boa exceção que baralha a regra


Não há boa regra sem boa exceção e isso é especialmente verdade na política americana.

A vitória retumbante de Chris Christie na reeeleição para o governo do estado da Nova Jérsia (mais de 60% votos) voltou a colocar os holofotes sobre este popular e carismático político republicano, que governa um estado tradicionalmente democrata, agora com legitimidade reforçada.

Depois de escolhas falhadas em 2008 (John McCain) e 2012 (Mitt Romney), e com uma noção de que nomes mais ligados 
à ala radical como o senador Ted Cruz, do Texas, ou a ex-governadora Sarah Palin, do Alasca, são apenas estrelas fugazes que não teriam capacidade de agarrar o centro político da América, as bases do Partido Republicano têm Chris Christie na mira.

Será ele uma hipótese forte a considerar para a nomeação presidencial republicana de 2016?

A avaliar pelas sondagens, Christie não é apenas «uma hipótese a considerar»: é mesmo o único republicano que se bate de igual para igual com Hillary Clinton na eleição geral para 2016, que definirá o sucessor de Barack Obama na Casa Branca.

Nos quase três anos que ainda faltam para as eleições presidenciais na América (dois anos e meio para se fecharem as nomeações partidárias), muito ainda pode acontecer.

Com o Presidente Obama a bater no fundo dos índices de popularidade (sofrendo as ondas de choque dos erros na implementação do ObamaCare), o apetite pela corrida republicana para 2016 vai aumentando.

Mas uma coisa parece já certa: se se confirmar este favoritismo precoce de Christie do lado republicano, estaremos mesmo perante um daqueles casos em que a exceção reforça a regra.

Chris Christie tem quase tudo o que as regras da comunicação política aconselhariam a não ter: é visivelmente gordo, exibe figura rotunda (correu até o rumor que Mitt Romney não o escolheu para vice-presidente do ticket republicano para 2012 por achar que Christie tinha «peso a mais»); é desbocado, diz coisas politicamente incorreto e tem o coração demasiado perto da boca.

Nestes tempos de ditadura comunicacional, Chris Christie gosta de baralhar as regras. A poucos dias da eleição de 2012, quando o Sandy devastou o seu estado da Nova Jérsia, Chris mandou às malvas a fidelidade partidária e elogiou a forma como Obama, candidato democrata rival do aliado Romney, havia agido prontamente como Presidente, na gestão da crise.

No circo da alta política americana, em que os pormenores de imagem são analisados ao detalhe, Chris Christie não só não se intimida com o peso excessivo que tem, como até já fez gala de mostrar que pode comer um hamburger em frente às câmaras, sem que com isso perca o seu «appeal» eleitoral (novamente comprovado nas urnas, na sua folgada reeleição). 

Como é que isto é possível? Chris Christie é a prova de que, sendo importante, a uma boa imagem só tem eficácia política se for acompanhada de um bom candidato.

Os trunfos de Chris não estão na balança, nem sequer no cálculo das suas ações políticas. Pelo contrário, eles residem na sua autenticidade, numa reconhecida capacidade de liderança pelo exemplo e na forma generosa como se bate pelos interesses dos eleitores do seu querido estado da Nova Jérsia.

Nem tudo está perdido. 

Germano Almeida

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