sexta-feira, 23 de maio de 2014
Pode alguém ser quem não é?
A comunicação deve servir para transmitirmos uma ideia, uma mensagem, um
percurso.
Não faz milagres, mas pode servir de instrumento fundamental para que um político, um empresário, um CEO, um treinador de futebol, um craque da bola, possa ter sucesso.
Bem usada, pode valer promoções ou ganhar eleições. Mal utilizada, ameaça carreiras e pode comprometer objetivos fundamentais.
A boa comunicação é amiga de quem a sabe usar. Má comunicação pode ter efeitos desastrosos e, por vezes, até profundamente injustos para quem tinha tudo para chegar mais longe.
Se é fácil perceber que a comunicação, por si só, não é suficiente e deve sustentar-se numa ideia, numa instituição, ou numa pessoa que tenham algo sustentado para transmitir, sobram dúvidas sobre como e quando usar o poder da palavra e da imagem.
Parafraseando o enorme Sérgio Godinho, apetece perguntar: «Pode alguém ser quem não é?»
É que o dilema, na área da comunicação, é mesmo o que dá título a uma das mais belas canções do autor e cantor português, inicialmente gravada no final da década de 70, no álbum «Pré-Histórias».
Alguns exemplos da inquietação que tento expor nesta crónica: se toda a gente sabe que Jorge Jesus não tem na retórica e na bagagem cultural o seu forte, fará sentido pô-lo a citar frases de… Pascal e a falar de quadros de Paula Rego?
Não fará mais sentido reforçar os méritos táticos de um treinador com inegáveis méritos e resultados acima de qualquer suspeita?
Identificada a contradição, devo também dizer que noto evolução positiva na forma como o agora treinador campeão nacional foi comunicando, desde que chegou ao Benfica.
Não foi por isso que ganhou, esta época, três títulos e ainda chegou a uma final europeia, é claro. Mas essa evolução terá ajudado a que Jesus ganhasse mais tempo para impor as suas ideias e mostrar resultados num clube onde a obrigação de ganhar é… quase imediata.
E quanto a esta bizarra campanha eleitoral para as europeias: Paulo Rangel e Francisco Assis são apontados como dois dos políticos portugueses mais bem preparados.
Têm ambos um perfil racional, não são associados a «carreirisimo» partidário, têm ideias próprias e uma dimensão intelectual indiscutível.
Perante este perfil dos cabeças-de-lista dos dois blocos partidários mais votados (coligação de governo e PS), era de esperar uma campanha elevada no plano das ideias.
Pedagógica, de preferência, tendo em conta a dificuldade dos temas, numa campanha europeia.
Ora, a que é que se assistiu: a um espetáculo deprimente de trocas de acusações estéreis, criadas de forma artificial, entre dois políticos que a nível pessoal até se respeitam e que teriam, certamente, condições de empreender um debate bem mais útil e interessante.
Em vez de valorizarem as respetivas imagens nesta campanha, Rangel e Assis perderam, dia após dia, por tentarem mostrar o que não são.
Não tenho ideias fechadas sobre o tema, juro.
Bastou ter trabalhado durante um ano e meio «do outro lado» (em 21 anos de carreira, tenho 19 e meio de jornalismo e ano e meio como diretor de comunicação da Liga Portuguesa de Futebol Profissional) para ter tido uma noção de como é difícil dar conselhos sobre comunicação.
Trata-se de uma área onde há mais dúvidas que certezas, na qual estamos, diariamente, a agir e reagir, com necessidade permanente de corrigir, reduzir danos, construir um caminho que nunca estará acabado.
Exatamente por isso, vale a pena questionar. Refletir. Quanto mais o faço, mais concluo que, na comunicação, é fundamental respeitar os traços originais de quem está a emitir a mensagem.
Pode alguém ser quem não é?
Germano Almeida
terça-feira, 22 de abril de 2014
A #GlobalSelfie da NASA
A NASA pretende marcar o dia da Terra através da criação de uma imagem do
planeta através da junção de milhares de #Selfies pessoais num mosaico.
Para a concretização deste projeto a NASA convida todas as pessoas a partilharem as suas "Selfies" nas redes sociais com a Hashtag #GlobalSelfie.
Já partilhaste a tua?
Mais info em: http://www.nasa.gov/content/goddard/globalselfie/index.html#.U1Z20vldXTq
Helder Gonçalves
planeta através da junção de milhares de #Selfies pessoais num mosaico.
Para a concretização deste projeto a NASA convida todas as pessoas a partilharem as suas "Selfies" nas redes sociais com a Hashtag #GlobalSelfie.
Já partilhaste a tua?
Mais info em: http://www.nasa.gov/content/goddard/globalselfie/index.html#.U1Z20vldXTq
Helder Gonçalves
quarta-feira, 19 de março de 2014
Putin e Obama entre o xadrez e o «bluff» na Crimeia
«Sempre
respeitámos a integridade territorial ucraniana. Não a queremos ver retalhada»Vladimir Putin, Presidente da Rússia
«Kiev é a mãe de todas as cidades
russas»
Vladimir Putin, Presidente da Rússia
Vladimir Putin, Presidente da Rússia
«Uma proposta de referendo sobre o futuro
da Crimeia violaria a Constituição ucraniana e a legislação internacional»
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
«O uso da força seria uma situação
extrema, mas reservamo-nos ao direito de utilizar todos os meios para defender
os cidadãos ucranianos e russos étnicos»
Vladimir Putin, Presidente da Rússia
Vladimir Putin, Presidente da Rússia
«As questões a resolver na Crimeia devem
ser diretamente dirigidas ao governo ucraniano»
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos
A crise da Crimeia pode parecer apenas uma disputa de território entre Rússia e Ucrânia. Mas há muito que passou a ser, essencialmente, um jogo de forças entre os dois principais líderes mundiais do momento: Barack Obama e Vladimir Putin.
O final da Guerra Fria deveria ter-nos
anunciado que o tabuleiro mundial deixara de ser dominado pelos líderes
políticos de Washington e Moscovo.
Fukuyama publicava «O Fim da História» e
a tese dominante era de que os EUA haviam passado a ser a única superpotência e
que a URSS, entretanto desfeita e concentrada no poder russo, tendia a
aproximar-se da Europa Ocidental e, por consequência, da NATO e do guarda-chuva
americano.
O 11 de Setembro de 2001 foi o «cisne
negro» que anunciou tempos bem mais complexos de se analisar.
Mesmo mantendo um poder militar
impressionante, os EUA perderam o estatuto de «ás de trunfo» e tiveram que
passar a contar com outros «players» (por vezes aliados, noutros casos, mesmo
adversários até inimigos, regionais).
Não nos enganemos: a América continua a
ser o único poder decisivo global. Entra, para ganhar, em todas as frentes. Mas
a progressiva redução de interesse em entrar em novas aventuras (sobretudo
depois das campanhas infelizes no Iraque e no Afeganistão) obrigaram os EUA a
fazerem um «shift» do «hard power» (tropas no terreno, mobilização pesada) para
o «soft power» (aposta na diplomacia, redução de efetivos, fecho ou diminuição
de bases militares fora dos EUA).
Da «hegemonia» passou-se para a
«contenção». À Doutrina Bush de «ataques preventivos para espalhar a
democracia» sucedeu a Visão Obama de «estratégia de contenção, dominada pelo
realismo».
A América continua a mandar, mas passou
a querer fazê-lo à distância. Daí a aposta nos drones (aviões militares não
tripulados), daí a redução drástica de militares americanos mortos e/ou feridos
em cenários de guerra, nos últimos anos.
Esta evolução de política tinha tudo
para ser bem-sucedida.
Barack Obama, o
Presidente-Nobel-da-Paz-apenas-nove-meses-depois-de-ser-eleito, nunca quis ser
visto como um «líder de guerra». Cumpriu a retirada do Iraque. Cumprirá nos
próximos meses a saída do Afeganistão. Inaugurou na Líbia o conceito de
«leading from behind» (os americanos participaram na eliminação de Kaddhafi,
mas, desta vez, foram ingleses e franceses a fazerem as despesas da frente de
combate).
Na Síria, Obama demorou dois anos a dar
um murro na mesa perante os crimes de Assad. E só depois de passada a «red
line» do uso de armas químicas. Defendeu ação militar, evitou-a na 25.ª hora,
depois da proposta de mediação de Putin.
Com o Irão, a América de Obama passou,
em poucos meses, da vertigem nuclear (nos debates presidenciais em outubro de
2012, Mitt Romney mostrava gráficos a garantir que «lá para maio de 2013 o Irão
terá a bomba, se nada for feito») para a cooperação a caminho da parceria
comercial com o regime de Rohani.
Esta «nova América», contida e quase
avessa à ideia de avançar para novas guerras, estava até mais disposta a olhar
para o Pacífico (para defender interesses estratégicos no Japão, no Vietname e
na Coreia do Sul, perante as ameaças crescentes da China e da Coreia do Norte)
do que para o Atlântico.
Atrapalhada com a crise da sua jovem
moeda, a Europa ficou desiludida com um Obama que incensara na primeira
eleição, mas a quem já olhara com mais desconfiança na reeleição, em 2012.
Nem a ideia de uma «plataforma
transatlântica de livre comércio», lançada pelo Presidente Obama no discurso do
Estado da União 2013, resolveu o afastamento. A aproximação comercial está
ainda a ser desenhada e sobram dúvidas sobre as reais vantagens para os países
europeus.
Ao mesmo tempo, em Moscovo, Vladimir
Putin foi reforçando a sua liderança «imperial». Não expansionista, não
agressiva, é certo, mas com um certo revivalismo imperial.
A Rússia de Putin tem interesses
comerciais profundos no espaço europeu: com a Alemanha, obviamente, mas também
com a França e até com o Reino Unido (uma boa percentagem dos grandes
investidores da City londrina são russos).
A revolução da Praça de Maidan parecia
ter-nos explicado que a Ucrânia, entalada entre Moscovo e Berlim, entre o bloco
de Leste e o conforto do Ocidente, teria preferido «o nosso lado».
Mas as coisas não são bem assim. Em Kiev
surgiu um novo poder ainda frágil e contraditório («pró-europeus» misturados
com «neo-nazis» e até judeus e russos no mesmo governo...).
A jogada de Putin apanhou todos de
surpresa: o líder russo deu sinal de força e disse bem alto que a Crimeia é,
essencialmente, russa.
O mapa e a História, admitamos, não o
desmentem.
Mas é aqui que entram uma profunda
divergência de leituras entre americanos e russos, entre Obama e Putin. A
América dá prioridade aos acordos, às fronteiras, ao direito internacional. A
Rússia dá primazia ao orgulho, à história e à «noção patriótica».
O resultado do referendo não deixou
margem para dúvidas: uma esmagadora maioria dos habitantes da Crimeia prefere a
Rússia. Mas os valores... «norte-coreanos» da votação (só faltava mesmo terem
sido 99.9%) retiraram credibilidade ao ato realizado.
O que virá a seguir?
Ninguém sabe. As frases mencionadas no início deste texto dão conta da ambiguidade de Putin: ora quer respeitar os acordos internacionais, ora avisa que Kiev, a capital ucraniana, é «a mãe de todas as cidades russas».
Ninguém sabe. As frases mencionadas no início deste texto dão conta da ambiguidade de Putin: ora quer respeitar os acordos internacionais, ora avisa que Kiev, a capital ucraniana, é «a mãe de todas as cidades russas».
Tropas de Moscovo a avançar para a
capital da Ucrânia? Não é impossível, mas nesta fase da crise, não se afigura
provável.
Ninguém quer a escalada do conflito. A
Rússia seria a grande vítima de uma afrontação direta com a NATO. Isso não irá
acontecer, mas o «novo czar de Moscovo» está a testar aos limites a paciência e
os receios do Ocidente.
Guerra Fria, versão século XXI, mas
apenas na retórica e na batalha da comunicação. Uma disputa de territórios, um
testo às fronteiras até onde poderá chegar a influência de Moscovo no espaço
europeu.
Obama talvez seja forçado a alterar os
seus planos de «flexão» para o Pacífico. E é de esperar que o Presidente
americano se reconcilie com os europeus, numa aliança reforçada pelo receio
comum do «urso» moscovita.
Há coisas que, por muito que o tempo
passe, não mudam assim tanto.
Germano Almeida
segunda-feira, 10 de março de 2014
Drácula perdido nas ruas de Lisboa
A estreia da nova série do Syfy foi marcada por acção de
street marketing e campanha multi-meios.
Para a estreia de Drácula em
Portugal, o Syfy desenvolveu uma campanha que procurou envolver toda a
comunidade de fãs do género terror e fantástico. Sob o mote “O Desejo é
Imortal”, o plano de comunicação assentou em campanhas de outdoors e nas rede
sociais, culminando ontem com uma ação de street
marketing e o arranque do passatempo
“A Mordida Mais Apaixonada”.
A campanha outdoor está nas ruas desde dia 26 de
Fevereiro, em todo o país através da rede Cemusa, com mais de 1.500 mupis e
três mupis especiais “Kit Em Caso de Ataque de Vampiros” (dois em Lisboa e um
no Porto).
A responsabilidade de toda a produção da campanha está a cargo da Carimbo 360.
A responsabilidade de toda a produção da campanha está a cargo da Carimbo 360.
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Faça o download do vídeo da ação de Street Marketing
Drácula aqui.
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Saiba mais sobre o passatempo “A Mordida Mais Apaixonada”
aqui.
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Fotografias da campanha Drácula aqui.
A organização de um concerto de música em 1988. Um pesadelo ou um conto de fadas?
Em 1988 o músico e compositor
francês, de música eletrónica, Jean Michel Jarre, decidiu fazer um concerto em
tudo diferente e em tudo fora do habitual e avançado para a época, numa área das
docas de Londres, situadas numa localidade chamada Newham.
O concerto, assentava na
construção, preparação e adaptação de uma zona, em que não existia nada que
servisse a organização de um evento destes, a não ser o espaço físico existente
e edifícios que foram aproveitados para efeito cénicos.
O palco seria construído sobre
barcas, ou seja na água e como já referi foram aproveitados alguns dos edifícios
da área, para a projeção de imagens durante o concerto, como um cilo gigante.
Uma das componentes dos concertos
de Jean Michele era a sua espetacularidade baseada em muito fogo-de-artifício e
luz.
Apesar do interesse inicial das
autoridades locais e respetiva aprovação da realização do concerto e
envolvimento da comunidade local, aquilo que um dos produtores do espetáculo
referia no início deste making of, que
este evento poderia ser ou um conto de fadas ou um pesadelo, acabou por se
tornar mesmo um pesadelo e bem grande.
Já com grande parte do palco
instalado e feitos imensos preparativos logísticos e materiais no local, e com
um investimento financeiro já bastante avultado, o concelho de Newham, revogou
a licença de organização do evento, invocando o não cumprimento por parte da
organização e dos promotores do evento, de um conjunto de condições de
segurança.
Perante a estupefação e a reação
de incredulidade de Jean Michel e de todos os elementos ligados à organização e
produção do concerto, foram iniciados contactos por toda a Grã-Bretanha, na
procura de locais semelhantes para a realização do espetáculo, sem nunca
desistir da organização do evento no local inicialmente previsto.
Assim, continuaram as conversas
com o concelho municipal de Newham no sentido de tentar desbloquear a situação,
e de levar a bom termo a realização do concerto no local inicialmente previsto.
Após a reorganização das questões
de segurança, a realização do concerto acabou por ser aprovada para o local
inicialmente previsto.
Mas o pesadelo ainda não tinha terminado.
Em virtude de condições climatéricas muito difíceis a data inicial do concerto acabou por ser adiada, tendo o concerto final, ainda sob condições meteorológicas muito adversas sido realizado e dividido em duas noites, por questões de segurança.
Para a história ficam imagens
como o coro de crianças em palco com coletes salva vidas ou um grupo de assistentes
espalhados no palco com guara chuvas a proteger os diversos músicos e também da
presença da Princesa de Gales, Diana.
Para a história ficou também,
independentemente do gosto musical de cada pessoa, um enorme concerto, um
género de concerto pouco habitual para a época.
Todo este processo, foi feito sem
recurso a algo que hoje por exemplo seria impensável, como telemóveis,
contactos via redes sociais, internet, e-mail, etc, o que de certa forma nos
deve levar a pensar que muitas vezes a dificuldades que nos surgem na
organização de eventos não são nada comparadas com o que acontecia há pouco
mais de 20 anos.
Para quem gosta de organizar
eventos, sejam eles maiores ou menores, este making of, permite analisar,
observar, e refletir sobre condições básicas e fundamentais e nos desafios que
se colocam na organização dos mesmos.
Miguel Macedo
Miguel Macedo
Anexo: Making Of-4 capítulos e Concerto completo
quinta-feira, 6 de março de 2014
FPF, Nike e Ronaldo
É inegável o crescimento do prestígio da seleção portuguesa de futebol desde há mais de uma década para cá. As presenças consecutivas nos principais palcos do futebol mundial e o facto de reunir alguns dos melhores executantes que o planeta tem conhecido nos últimos tempos ajudaram a granjear um estatuto quase ímpar entre as grandes seleções.
Com esse reconhecimentos começaram a surgir as principais empresas (relacionadas com desporto ou não), desejosas de se associarem a uma organização, no caso a Federação Portuguesa de Futebol, que lhes permite uma ampla visibilidade, como em poucas atividades, dada a forte capacidade de penetração do futebol nas diferentes camadas da sociedade. E com isso beneficia igualmente o órgão que rege o futebol nacional, numa relação win-win. É aqui que entra a renovação do contrato entre FPF e Nike até 2018.
A parceria dura desde 1997 e, é preciso deixar claro, a data da primeira ligação não constitui um mero acaso. Depois de vários anos sem participar em fases finais de grandes competições, Portugal esteve presente no Europeu de 1996, onde foi uma agradável surpresa. Recheada de vários talentos que despontavam no futebol mundial, a seleção portuguesa ganhou notoriedade e transformou-se numa plataforma de visibilidade para quem a ela se associasse.
A parceria dura desde 1997 e, é preciso deixar claro, a data da primeira ligação não constitui um mero acaso. Depois de vários anos sem participar em fases finais de grandes competições, Portugal esteve presente no Europeu de 1996, onde foi uma agradável surpresa. Recheada de vários talentos que despontavam no futebol mundial, a seleção portuguesa ganhou notoriedade e transformou-se numa plataforma de visibilidade para quem a ela se associasse.
A reputação da nossa seleção foi ganhando forma ao ponto de passar a ter nas suas fileiras os melhores do mundo, como Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Duas marcas, com principal ênfase para a segunda, ao qual estão associados valores como qualidade futebolística, sucesso, dedicação mas também bem-estar e boa aparência. A Nike tem igualmente em Cristiano Ronaldo um dos seus baluartes e esse fator influenciou (para além dos bons resultados desportivos) a que a ligação com a FPF se mantenha pelo menos nos próximos quatro anos.
Mas é preciso pensar mais além. É do conhecido geral que uma eventual ausência de uma fase final significaria um rombo no orçamento da FPF. Mas, mais grave, seria uma debandada (ou revisão em baixa dos contratos) dos principais patrocinadores, como a Nike. E esse é um cenário tanto mais possível quanto os anos passam e CR7 acabe, um dia, por deixar os relvados.
Ao longo destes 17 anos, a FPF tem sabido contribuir para que a seleção se mantenha no topo e beneficiado igualmente da boa formação levada a cabo pelos clubes nacionais. Só por isso é que as suas finanças se mantêm equilibradas, ao contrário de muitas outras organizações no país.
Mas vai ser preciso continuar a ter figuras de primeira linha (atenção clubes!) e marcar presença nos Europeus e Mundiais para manter uma Nike por perto.
Aliás, quando Ronaldo se retirar (e o fim do contrato com a multinacional de equipamento desportivo terminará numa altura em que se prevê que o jogador esteja na curva descendente da carreira…), a FPF terá de saber como manter em alta os valores pagos pela Nike.
Pode parecer “peanuts”, essa expressão muito em voga, mas o facto de todas as seleções portuguesas, exceto a principal, darem prejuízo se não fossem os patrocínios é elucidativo da importância da questão. Isto de meter as bolas lá dentro ajuda, e de que maneira, a negociar qualquer tipo de contrato.
Ao longo destes 17 anos, a FPF tem sabido contribuir para que a seleção se mantenha no topo e beneficiado igualmente da boa formação levada a cabo pelos clubes nacionais. Só por isso é que as suas finanças se mantêm equilibradas, ao contrário de muitas outras organizações no país.
Mas vai ser preciso continuar a ter figuras de primeira linha (atenção clubes!) e marcar presença nos Europeus e Mundiais para manter uma Nike por perto.
Aliás, quando Ronaldo se retirar (e o fim do contrato com a multinacional de equipamento desportivo terminará numa altura em que se prevê que o jogador esteja na curva descendente da carreira…), a FPF terá de saber como manter em alta os valores pagos pela Nike.
Pode parecer “peanuts”, essa expressão muito em voga, mas o facto de todas as seleções portuguesas, exceto a principal, darem prejuízo se não fossem os patrocínios é elucidativo da importância da questão. Isto de meter as bolas lá dentro ajuda, e de que maneira, a negociar qualquer tipo de contrato.
João Socorro Viegas
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
A comunicação digital numa nova forma de promoção do Turismo Gastronómico: o exemplo da Cooking Lisbon
A Cooking Lisbon é um conceito único
baseado na cozinha tradicional portuguesa, que partilha sabores, experiências e
um leque de produtos tradicionais portugueses, com os turistas que visitam
Portugal e os Portugueses.
A Cooking Lisbon conta com uma equipa de
chefs profissionais, prontos a auxiliar na preparação, confecção e a cozinhar
os ingredientes, para que todos as entradas, sopas, pratos e sobremesas, sejam
um reflexo da cultura portuguesa e da gastronomia local.
As ementas desenvolvidas, tiveram como
base o reconhecimento internacional
da gastronomia portuguesa, os ingredientes
de cada época, as preferências dos potenciais clientes nacionais e
internacionais, tendo sempre em consideração um ambiente descontraído de lazer,
bem-estar e gastronómico.
O espaço, localizado no centro da cidade
de Lisboa, entre a R. Santa Marta e a Av. da Liberdade, é adequado para grupos
até 14 pessoas com total conforto, privacidade e acima de tudo, aprendizagem da
gastronomia portuguesa para os que o frequentam.
A Cooking Lisbon disponibiliza um leque
de serviços, estudados criteriosamente ao longo dos últimos três anos e
aprofundados em viagens a outros países.
Actualmente, disponibiliza os serviços
de:
- Cooking Classes (aulas de cozinha, máximo 14 pessoas, sector do turismo),
- Market Tours (visitas ao mercado),
- Private Groups (Actividades e Jantares com menu definido),
- Wine Tastings and Pairings (Provas de vinhos e formação),
- Chef Solutions (Soluções para chefs).
Com um posicionamento distinto e uma
comunicação informal, aposta sobretudo nas redes sociais para a sua expansão de
negócio e as referências nacionais e internacionais.
Online, a marca está presente através do
seu site de internet está presente no
Facebook, Instagram e Twitter.
Offline, o
conceito está situado na Tv. Enviado de Inglaterra, em Lisboa (próximo da Av.
da Liberdade e R. de Santa Marta).
Helder Gonçalves
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
A Essência do Vinho “já não é” apenas aqueles 4 dias.
A Essência do Vinho é um dos maiores eventos vínicos
nacionais, senão o mais importante e mediático de todos.
Durante 4 dias,
consegue reunir milhares de apreciadores de vinho, e de diversas placas de
consumo: desde produtores, consumidores, jornalistas vínicos, críticos e
profissionais do vinho.
A maioria destes visitantes são nacionais, mas no
entanto uma fatia bastante considerável é já internacional e desloca-se propositadamente
para este evento.
Para não falar ainda, nos últimos anos, da componente
gastronómica que já não se consegue dissociar da área vínica.
Um evento
localizado no belíssimo edifício do Palácio da Bolsa, para além de toda a
graciosidade que as salas interiores nos dão, ainda conferem uma vista
panorâmica sobre a sala inferior, essa repleta de mesas com produtores a “dar à
prova” os seus vinhos, na tentativa de fecharem negócios proveitosos para o ano
seguinte.
Declaro-me como uma fã incondicional deste evento, no qual conheci algumas
das personalidades vínicas que sempre acompanharam a minha incursão
profissional nesta área. São quatro dias de provas, intenso trabalho e muitas
conversas, muita aprendizagem e, claro, para muitos, muita diversão.
Muito se
poderia escrever sobre a arquitectura, o evento, as iniciativas, e toda a
envolvência que consegue afinar na cidade do Porto durante estes quatro dias,
mas irei falar de uma outra perspectiva: a Essência do Vinho “já não é” apenas
aqueles 4 dias.
Tudo começa muito antes, na comunicação deste evento.
Confesso que não vejo uma comunicação assertiva, ao nível do que este evento
poderia ser.
Temos aqui diversos tipos de comunicação paralela e
interceptada, sendo que a primeira é a comunicação entre Essência do Vinho e
consumidor do evento, o visitante.
A praticamente uma semana antes do início do
evento, quase nenhuma informação havia sobre o mesmo, a não ser alguns
apontamentos no site.
O programa ainda não havia sido divulgado, nem os
expositores, nem tampouco as actividades paralelas.
As social media inerentes à
organização também não tinham nenhuma informação concreta e válida, a ponto de
dar efectivamente, razões e mais-valias ao visitante para adquirir bilhete para
este ano.
Ao fazermos uma breve comparação com outros eventos vínicos
semelhantes a nível internacional, vemos que a organização da Essência do Vinho
está a 20% daquilo que poderia estar a nível de comunicação eficaz e ao patamar
de “melhor evento vínico nacional”.
Mas esta lacuna de comunicação que eu
considero uma falha, pode ser aos olhos de muitos apenas mais um pormenor, pois
o número dos visitantes continua a aumentar de ano para ano, são milhares os
que continuam a visitar o evento.
Outro tipo de comunicação que é feita neste tipo de evento é
a que existe entre o expositor e o consumidor final, que neste caso é entre o
produtor e o cliente que compra vinho na garrafeira e leva para casa. Aqui as
falhas são muitas e gravíssimas. Um expositor faz investimento monetário e de
recursos humanos para marcar presença neste evento, mas a verdade é que ainda
não sabe como tirar os melhores benefícios disso.
Apesar de estar na área dos vinhos há poucos anos,
considero-me bastante activa e atenta às campanhas que se vão fazendo nesta
área e posso dizer, com toda a certeza, que mesmo estando ligada a bases de
dados vínicas, ter subscrito a maioria das newsletters dos produtores, ou ter o
meu feed sempre no “on” para as redes sociais, jornais, revistas… pouquíssimos
foram os produtores que comunicaram e incentivaram a presença do seu consumidor
no evento. Dizer que vão lá estar, convidar para os visitar, tudo isto faz
parte.
Mas ainda assim, a comunicação poderá ser ainda mais profunda. O
engajamento entre produtor e consumidor pode ser muito maior.
Tudo começa muito
antes da célebre quinta-feira profissional do evento: muito antes disso, é
necessário justificar o investimento monetário que se faz neste evento.
A
comunicação pré-evento, de acordo com o gráfico é tão ou mais importante do que
a comunicação durante o evento. Só desta forma será possível manter uma
comunicação eficaz com o mesmo consumidor depois do evento terminar.
Com isto não quero dizer que os produtores
não sabem comunicar com os seus clientes: estou a afirmar que não o estão a
fazer.
Não estão a comunicar, não estão a valorizar e não conseguem
criar valor ao terem milhares de pessoas a provar os seus vinhos, durante 4
dias.
Quanto vale um visitante da Essência do Vinho para cada produtor?
Quanto
vale cada minuto na mesa de provas?
No final do evento, quanto vale o contacto
que trago na mão?
O que vou fazer, como vou fazer para valorizar este recurso?
Porque
já não podemos ir para um evento a pensar “que temos que lá estar, o retorno
vem depois”.
Hoje em dia, com a velocidade a que vivemos o ROI começa muito
antes do evento começar.
Muito poderia ser falado sobre a comunicação positiva e
activa que poderia ser feita por todos, para que o melhor evento vínico
nacional pudesse também ser uma referência de boas práticas comunicacionais a
nível internacional, mas nunca o fazemos, porque nos habituamos a fazer sempre
igual: muitos já fazem diferente, mas são poucos.
Deixo este artigo como forma de alerta para os expositores,
e um apreço à organização da Essência do Vinho por mais um ano nos dar a
oportunidade de comunicar com o mercado.
No entanto, não quero terminar sem
deixar uma palavra de apreço específica a Nuno Guedes Vaz Pires, Director
Executivo da Wine que, de forma directa ou indirecta, consegue comunicar este
evento com grande profundidade e panorâmica.
Diana Carvalho
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