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Equipa diversificada por profissionais do meio

A nossa equipa é composta por diferentes profissionais da área da Comunicação. Assessoria, Comunicação Corporativa, Redes Sociais, Protocolo e Marketing Pessoal são temas que semanalmente vamos abordar por aqui!

Assessoria de imprensa

Abordagem de questões/temáticas que se colocam frequentemente aos assessores de imprensa.

A Comunicação e as Redes Sociais

A disseminação de informação pelas redes sociais mudou totalmente o paradigma do tempo em relação à prática da comunicação empresarial, sobretudo no que diz respeito à assessoria de imprensa. Hoje, possuir uma cultura de comunicação é insuficiente. É necessário ter uma cultura de comunicação em tempo real,

Comunicação Corporativa

A comunicação corporativa é essencial para empresas e precisa ser colocado em prática para otimizar a eficiência do trabalho corporativo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Só metade do Brasil vai ganhar

O Brasil é o tal país que, na definição genial de Millor Fernandes, «tem um longo passado pela frente». Ou, como sintetizou também com especial precisão o escritor Stefan Zweig, «é um país de futuro… e sempre será».

Deus pode até nem ser brasileiro, mas mesmo quando o Brasil parece caminhar para o abismo, percebemos que, simplesmente, não cabe lá, de tão grande que é.

Terra fantástica com situações miseráveis, paraíso de contrastes, já prometeu ser a grande história de sucesso dos «emergentes», mas os últimos anos podem tê-la condenado ao fantasma do fracasso.

Fica difícil avaliar, neste momento, se prevalece a carga positiva ou negativa de um país com um potencial humano e natural gigantesco, mas com contradições que resistem a ciclos económicos.

Crescimento espetacular, travagem assustadora

O modelo de crescimento do Brasil produziu resultados espetaculares nas últimas duas décadas.

No início dos anos 90, o Brasil era essencialmente um país pobre, subdesenvolvido, estigmatizado pela inflação e pela desvalorização da moeda. Muito marcado pelas diferenças sociais e pela violência.

Nessa altura, quando pensávamos no Brasil, tínhamos sentimentos negativos: aquilo não ia correr bem.

Durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso, tudo mudou: a introdução do real foi o golpe de asa financeiro que lançou as bases para o crescimento económico que se iniciaria pouco depois.

Com Fernando Henrique, o Brasil teve dois momentos cruciais: salvou-se economicamente e começou o caminho da distribuição social.

Seria Lula, seu sucessor na presidência, a acelerar, de modo impressionante, o lado social: muitos milhões de brasileiros saíram da pobreza e passaram a fazer parte de uma nova classe média. E isso é um crédito político tremendo do antecessor de Dilma.

Os programas «Bolsa Família» e «Fome Zero» passaram a ser bandeiras de políticas sociais, citados como exemplos a seguir um pouco por todo o Mundo.

De tal modo que, nesta dura e divisiva campanha presidencial, os únicos consensos foram mesmo os legados sociais de Lula (só possíveis por aquilo que a presidência de Fernando Henrique encetou): Dilma, Aécio e Marina juraram preservá-los.

Ainda hoje, Lula é uma espécie de ás de trunfo da política brasileira.

Saiu do Palácio do Planalto com índices de aprovação entre 70 a 80%, um luxo de que mais ninguém (mais ninguém mesmo) se pode gabar no mundo contemporâneo. Governar em democracia, na era do escrutínio em tempo real, é cada vez mais difícil e a popularidade de Lula, nesse aspeto, é um fenómeno simplesmente notável.

Acontece que a história de crescimento económico espetacular, com consequências positivas na distribuição social, durou duas décadas. Isso mesmo, «durou», porque já é passado.

Teve o «combustível» de taxas de crescimento anuais de 6 a 8%, à boleia de um ciclo de preços altos das matérias-primas nos mercados internacionais. Estudo do PNUD, divulgado no verão de 2013, confirmou esse crescimento impressionante: em 1991, o Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil tinha a nota «muito baixo». Duas décadas depois, merece um «Alto»: um crescimento de 47,5% da qualidade de vida dos brasileiros nos últimos 20 anos.

Só que falta encontrar o equilíbrio social. As manifestações do verão de 2013 puseram a nu esse problema: o crescimento económico, mesmo com os programas sociais, não resolveu as diferenças sociais.

A corrupção (que, no Brasil, é clara em todos os níveis de poder, desde o local ao federal, com forte relevância no plano estadual) agrava essa sensação de desperdício e de injustiça social.

Novo paradigma, ganhe quem ganhar

Os 12 anos de poder do PT (oito de Lula, quatro de Dilma) basearam-se num contrato: o enriquecimento do Brasil pela via da exportação teria retorno na preservação dos programas sociais.

Apesar do desgaste de vários casos de corrupção a atingirem figuras muito próximas de Lula e Dilma, a verdade é que esse contrato foi-se aguentando. E isso nota-se nesta eleição: os 41% de Dilma no primeiro turno, sendo abaixo do que se esperava, basearam-se, em grande parte, na massa de eleitores dependentes desse grande «contrato social» alimentado pelo PT.

Sucede que esse contrato está a acabar: mesmo que Dilma seja reeleita.

O Brasil está com crescimento anémico. Os 8% já lá vão e foram reduzido a um décimo disso. Ora, se um crescimento de 0.8%, hoje em dia, é quase festejado numa Europa habituada à estagnação, no Brasil é socialmente insustentável.

Não chega para alimentar os programas sociais, não dá para manter a rota desenhada para crescer indefinidamente.

Para manter o atual modelo económico, o Brasil precisava de crescer, no mínimo a 4%. Como isso, tão cedo, não voltará a acontecer (sobretudo com os preços das matérias-primas a baixar nos mercados internacionais), temos que concluir que a era do poder do PT terminou – mesmo que Dilma vença Aécio no segundo turno.

Para Aécio será mais fácil, caso vença: o discurso de «mudança» pega melhor num momento como este. Dilma terá, certamente, mais dificuldades em moldar o seu discurso e a sua prática de governação, caso garanta um segundo mandato.

Dilma no Norte, Aécio no Sul

Há dois «Brasis» expressos nas urnas e o primeiro turno foi eloquente a prová-lo.

O Norte e o Nordeste, muito mais pobres que a média nacional e dependentes dos programas sociais, estão gratos a Lula e Dilma e permanecerão fiéis ao PT.

As pesquisas dão quase 70% a Dilma nessas regiões para a segunda volta.

O Sul, o Centro-Oeste e os grandes centros urbanos, mais ricos e menos dependentes dos subsídios, votam Aécio, esperando menos peso do Estado na economia e mais segurança urbana.

São Paulo pode ser a chave. Dilma saiu-se mal em «SP» no primeiro turno, mas há a ideia de que poderá recuperar um pouco no domingo. Em contraponto, Minas Gerais pode ser a chave para Aécio. Antigo governador do estado, precisa de ter melhor desempenho no segundo turno.

Também em termos etários se notam clivagens: os mais novos (dos 16 aos 24) e os mais velhos (acima dos 60) votam Aécio; entre os 25 e os 59, Dilma tem pequena vantagem.

Nas redes sociais, Aécio tem mais apoiantes. O eleitor de Dilma surge como menos sofisticado e mais agarrado a hábitos tradicionais.

Mas está tudo muito dividido: aconteça o que acontecer no domingo, parece mais ou menos inevitável que quase metade do Brasil não fique satisfeito com o nome do vencedor.

Não é só isso não ser bom: isso prova, essencialmente, que a era de «consenso» vivida com Fernando Henrique e sobretudo com Lula (já não com Dilma), simplesmente terminou.

O primeiro mandato de Dilma foi um fracasso. O Brasil travou em vez de se manter em velocidade de cruzeiro. Mesmo que, à última, a «Presidenta» obtenha a reeleição, a noção de perda eleitoral é notória.

A eterna história de ricos e pobres

E, depois, há a eterna história dos «ricos e pobres», que vemos nas novelas da Globo e que corresponde mesmo à realidade: o Brasil tem dois «países» encaixados naquela enorme porção terra, tão diversa e tão desigual.

Os mais ricos não querem mais PT e votam Aécio. Dilma tem apoio maciço dos eleitores mais pobres, receosos de que uma mudança no Planalto signifique a perda dos apoios sociais.

A máquina propagandística do PT, de enorme poder triturador dos adversários, tem agitado esse fantasma e isso poderá explicar a recuperação de Dilma nesta reta final (as primeiras sondagens pós primeiro turno davam vantagem a Aécio; nestes dias finais da campanha, Dilma já surge à frente).

As características dos candidatos aumentam essa dualidade: Aécio Neves, neto de Tancredo Neves (que venceu as eleições presidenciais de 1985, mas morreu antes da tomada de posse), nasceu em berço de ouro e tem família influente há várias décadas em Minas Gerais e na política nacional.

Uma análise para lá dos rótulos das campanhas mostra-nos que essa dualidade é artificial. Esta não é, sequer, uma luta entre esquerda e direita.

Em primeiro lugar, porque o PT, desde que tomou o poder, há muito que abandonou práticas «de esquerda» na governação (basta dizer que grande parte das empresas e dos «mercados» desejam a reeleição de Dilma).

Depois, porque, ao contrário do que alguns por cá dizem, Aécio Neves não é «de direita». Tal como Fernando Henrique, de resto, não o era quando foi presidente. O PSDB (Partido da Social-Democracia Brasileira) é um partido moderado, de centro-esquerda, que acredita nos apoios sociais, mas propõe menor intervenção estatal do que o PT assumiu.

Em Portugal, Aécio estaria algures entre o PS e o PSD e bem mais à esquerda do CDS/PP. Fernando Henrique, é bom lembrar, era uma das referências políticas internacionais de Mário Soares e António Guterres durante a década de 90…

A questão é que o cenário político, no Brasil, está mais fletido à esquerdo, se comparado com o nosso.

A escolha de Marina

O mais curioso é que este duelo no segundo turno marca uma espécie de «regresso» à bipolaridade PT/PSDB, que tem marcado as duas últimas décadas na política brasileira.

Fernando Henrique era do PSDB, Lula e Dilma são «pêtistas». Os 20% de Marina há quatro anos e os 22% da mesma Marina agora no primeiro turno pareciam indicar uma terceira via com força para terminar com essa bipolaridade.

Mas não. O centro político continua a ser decisivo e a escolha de Marina por Aécio (ideologicamente improvável, mas politicamente previsível) mostra que os extremos, no momento da decisão, tendem a aproximar-se da moderação.

O beija-mão (literal) do candidato do PSDB a Marina Silva, a selar o apoio para o segundo turno (que poderá ter como contrapartida a entrega do cargo de ministra dos Negócios Estrangeiros à candidata que na primeira volta arrecadou 22% eventualmente decisivos) pode ficar para a história como a imagem que decidiu a eleição presidencial.

Os quase 60% de votos-sem-ser-em-Dilma no primeiro turno pareciam dar boa base de vitória a Aécio para o segundo turno. Os apoios de Marina e da família do falecido Eduardo Campos reforçavam essa ideia.

Depois dos debates, Dilma parece ter retomado as rédeas da corrida. Chega ao dia da votação com 2 ou 3% acima de Aécio nas pesquisas. Mas quem decide mesmo são os eleitores brasileiros no domingo.

E a história mostra que, na hora da verdade, têm escolhido bem.



Germano Almeida

terça-feira, 21 de outubro de 2014

EuroPCom 2014: Imag[in]ing Europe


A quinta edição da EuroPCom, a Conferência Europeia sobre Comunicação Pública, decorreu de 15 a 16 de Outubro em Bruxelas.
A conferência reuniu gestores de comunicação e peritos de alto nível das autoridades locais, regionais, nacionais e europeias. 


Mais de 700 colegas de todos os estados membros da EU participaram neste grande evento de networking composto por palestras, debates e oficinas interativas focadas nos grandes desafios da comunicação pública Europeia.


Nesta página poderá aceder às apresentações e conclusões desta edição da EuroPCom.
Assista ao vídeo resumo:




Por Helder Gonçalves

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sete Ideias para Apresentações de Impacto


Comunicar em público com impacto representa para muitas pessoas um enorme desafio. Há, porém, recursos que podem melhorar significativamente as suas apresentações. Eis os que consideramos mais relevantes:
1.     História
Uma história bem contada cativa mais atenção do público do que uma longa explicação. Pode recorrer-se a vivências pessoais e profissionais, fábulas, factos históricos, contos, entre outros.
2.     Pergunta
Uma pergunta bem colocada pode levar a plateia a pensar no assunto ou a participar na apresentação, tornando-a mais interativa e dinâmica.
3.     Estatística
A partilha de uma estatística baseada num estudo desenvolvido por uma entidade credível pode ser uma ótima forma de introduzir um tema ou chamar a atenção da plateia para um dado assunto.
4.     Imagem
Uma imagem surpreendente permite captar a atenção da plateia para o assunto apresentado, seja ela visual (ex.: recurso a fotografias) ou mental (ex.: levar plateia a imaginar algo).
5.     Vídeo
O vídeo tem, geralmente, muito impacto nas apresentações mas precisa de ser ajustado à temática e não ser demasiado longo para não maçar a plateia.
6.     Citação
Uma citação bem escolhida pode introduzir ou sintetizar uma apresentação de um modo brilhante. Porém, deve recorrer-se a citações de pessoas respeitadas ou de referência na área.
7.     Adereço
O uso de um adereço apropriado e/ou original pode despertar a curiosidade do público e ajudar a introduzir o tema da apresentação. Para fazer a diferença há que ser criativo.

Aceda ao infográfico deste conteúdo, aqui.


Por Ana Santiago

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O que acontece quando chove?

Nós sabemos sempre quando vai chover.

Mesmo que queiramos acreditar nas informações de meteorologia, que hoje em dia acertam mais ao lado do que nunca, nós sabemos quando vai cair uma “carga d’água” daquelas. Nós sentimos. E claro, também sabemos olhar para o céu para ver as nuvens carregadas de água fria e ácida, pronta para nos abençoar.
Sabemos ainda que, muitas vezes, se chover, estamos fritos. É o que acontece quando os bueiros estão entupidos, os telhados não estão limpos, os pinhais estão cheios de arbustos, as estradas continuam cheias de folhagem e lixo escondido. Claro que quando começa a chover, a pluviosidade é tão alta que entope as caleiras e todos os caminhos por onde passa.

O que vemos a seguir são as chamadas “cheias” nas cidades, nos pátios, nas estradas. Umas vezes mais calmas do que outras, lá vamos sabendo lidar com estas crises já constantemente habituais na nossa vida.

Claro que existe outro tipo de cheias e inundações que nada têm a ver com este fenómeno, como as de países sujeitos a condições climatéricas extremas, mas essas são outras cheias que não são feitas destas águas.

No entanto, mesmo estas águas podem ser evitadas. Nós sabemos quando vai chover. Então porque não fazer uma limpeza do lixo que está escondido?

Da mesma forma, na nossa vida pessoal, profissional ou empresarial, também existem destas cheias: deixamos acumular trabalho, deixamos para amanhã o que podemos fazer hoje, não delegamos, não deixamos que a vida se limpe a tempo de a podermos viver em harmonia.

Alimentamos o lixo que nos trespassa as horas, deixamos rolar até chegar ao ponto limite. Mas não tem de ser assim, nem deveria, a ética profissional impele-nos a resolver as situações limite, dá-nos instruções. A nossa educação familiar ensina-nos quando sermos humildes para mudar o que é necessário. Os nossos amigos merecem uma pequena dose de coragem nossa, sempre que for preciso actuar e limpar o que nos entope.Da próxima vez que olhar o céu e vir as nuvens negras a chegar, pense senão será melhor pegar na escada, subir ao telhado, e limpar as folhas antigas que entopem as caleiras. Pode ser que assim, da próxima vez que chover, a chuva não nos afogue nos nossos próprios problemas. Pode ser que até nos apeteça dançar na chuva.

                                               Diana Carvalho










sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pode o Protocolo Ter Emoções?

Falar de protocolo, no que diz respeito à sua prática, à sua aplicação em cerimónias e eventos, conduz-nos muitas vezes a conversas aparentemente frias e desprovidas de sensações, centradas em regras em leis e em costumes.
Por isso achei interessante refletir sobre esta questão. Pode o protocolo ter emoções?
Será que a aplicação das regras e de costumes protocolares em determinados eventos, não retiram obrigatoriamente a esses mesmos eventos, alguma da emoção que por certo serão inevitáveis nesses mesmo momentos, mas em que o protocolo obriga em grande parte aos principais atores resguardarem as suas próprias emoções.


Se pensarmos num conjunto de eventos, que facilmente nos vêm à cabeça, por certo que poderemos encontrar facilmente vários exemplos que nos responsam positivamente mas também negativamente à pergunta formulada.


O protocolo, por definição consiste na aplicação de regras e costumes que definem os momentos de um determinado momento e qual o lugar de cada um nesses eventos.

Por aqui, temos uma ideia de um protocolo, inevitavelmente necessário, mas aparente frio e rígido à partida. A ideia correta da aplicação do protocolo com bom senso e com a flexibilidade necessária em cada um dos momentos, abre um pouco o a janela da rigidez protocolar, para um olhar um pouco mais “ humano”.

Ora se a rigidez, o recurso a leis e costumes é fundamental para o sucesso da sua aplicação, em muitos eventos, são os próprios atores ou participantes, que com mais ou menos destaque, acabam por inevitavelmente deixar cair as suas máscaras protocolares, para revelarem os seus sentimentos e emoções em determinados momentos. E aqui, ao contrário de todo o trabalho de definição protocolar das cerimónias, as emoções não são preparadas por antecipação, mas sim momentos resultantes do sentimento que o próprio momento protocolar induz.


Os casamentos e os funerais, são um exemplo disto mesmo. Referindo-me apenas a eventos deste género que pelos seus atores, são evento altamente mediáticos, são vários os exemplos em que toda a preparação meticulosa das cerimónias, acaba por ser muitas vezes abalroada pela demonstração de emoções, que não alterando o curso do alinhamento previsto, ficam marcadas nas nossas memórias por muito tempo.


Quem não se lembra da continência feita pelo filho de JF Kennedy, John JR, à passagem do caixão deste. A emoção geral e sentida por milhares de pessoas e por intervenientes principais no funeral de Diana, nomeadamente no momento em que Elton Jonh interpretou a música adaptada ao momento, England´s Rose. A entrega da Taça de Campeão do Mundo, no último Mundial de futebol, em que os atores principais, A presidente do Brasil e o Presidente da FIFA claramente afetados pelas criticas e pelo receio de reações negativas de quem assistira ao jogo, acabaram por passar a Taça dentre eles de forma vertiginosa, como se própria queimasse nas mãos. Os emotivos momentos do entoar de hinos nacionais, nomeadamente em eventos desportivos e como acontece sempre nos Estados Unidos da América.


Estes e outros que poderiam servir de exemplo, são demonstrativos momentos, de como em ventos com fortes níveis de preparação protocolar, as emoções acabam por surgir e marcar o evento, acabando-se, apesar que de forma errada, se ouvir muitas vezes a imprensa referir, que o protocolo foi quebrado, porque este sorriu demais ou o outro chorou de mais.


O protocolo não é quebrado por emoções. As emoções sãos naturais ao ser humano e por isso naturais mesmo quando o protocolo regre cerimónias e eventos e sem dúvida que na minha opinião e aproveitando o último exemplo que vou deixar, que eventos sem emoções, não sãos bons eventos. 
Por isso, sempre que num evento, por mais cerimonial que seja, se detetam emoções isso significa que se conseguiu mexer com os intervenientes dos mesmos, sejam rainhas ou reis.


Talvez pela sua origem argentina, quando a agora Rainha da Holanda, Maxima Zorreguieta, se casou com o Príncipe herdeiro, ao ouvir os acordes e a interpretação de um dos mais tradicionais tangos argentinos de Piazzolla, se emocionou de uma forma única.  E porquê? 

Porque o protocolo, impedira os seus pais de estarem presentes na cerimónia, por ligações ao regime ditatorial argentino do General Videla dos anos 70, e foi a música, foi o Adiós Nonino, que trouxe a família de Máxima ao casamento, sendo assim contornado o protocolo… com muita emoção.





Miguel Macedo

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O que aprendi com três estagiários

Esta semana, escreverei um artigo muito breve e à moda antiga: terá dois pontos essenciais e uma pequena conclusão. Não porque o tema não mereça um tempo de reflexão estendido, mas sim porque merece que falemos sobre ele, directamente e sem rodeios.

Nas últimas semanas, tenho trabalhado directamente com alguns estagiários provenientes de áreas diferentes. Confesso que a opção de procurar estagiários ao invés de colaboradores já com trabalho comprovado foi uma decisão difícil de tomar, mas felizmente que a fiz.

A minha experiência com eles fez-me escrever o artigo de hoje, pois se não fosse esta equipa, o resultado não teria sido o mesmo: seria diferente é obvio, mas tenho a certeza de que não seria tão bom.

Dois dos estagiários são da área do design e web development e o terceiro é da área administrativa. É sabido que nas duas primeiras áreas ligadas ao design, ao desenho, à criação de imagem colaborativa, não faltam anúncios todos os dias nos jornais, existem milhares de empresas a “contratar” ou melhor, a precisar de serviços deste género para promover os seus produtos e serviços.

Então, se as empresas precisam de contratar, porque é que continuam tantos jovens com trabalho precário? Algumas perguntas apareciam na minha mente ao ver aqueles três jovens à minha frente, e apercebi-me de algumas coisas importantes.

Quando o estagiário chega, nunca é bem recebido na empresa.
Não é que o tratem mal, mas raramente o tratam como um da equipa, ele acabou de chegar, logo não faz parte do DNA da empresa. Ainda está a aprender. Não sabe o que está aqui a fazer, mas alguém há de o ensinar. Com tempo. Mas não eu.

1) No entanto, um bom líder vê outras coisas.

a) Um bom líder fica expectante na chegada de um estagiário, ele sabe que o estagiário não veio para a sua empresa apenas para aprender, mas também para ensinar. E não há nada que seja mais importante para uma empresa do que APRENDER novas práticas, novas formas. A inovação nasce de uma brecha muito pequena e às vezes essa brecha pode ser uma ideia que ainda está na cabeça de um estagiário.

b) Um bom líder sabe que um estagiário vai fazer todas as perguntas mas ele não tem receio. O estagiário vai perguntar o “PORQUÊ”, o “COMO”, vai perguntar “MAS PORQUE NÃO DE OUTRA FORMA?” Isto vai fazer com que o líder e a restante equipa procurem as respostas e todos sabemos que quando somos obrigados a responder somos obrigados a justificar: e é aqui que muitas vezes vemos que poderemos fazer melhor, justificar melhor. Não porque estávamos errados no passado, mas apenas porque AGORA, já podemos fazer melhor e nem nos tínhamos apercebido.

c) Um bom líder sabe que todas as equipas precisam de sangue fresco. E o estagiário, desde o primeiro dia em que entra na empresa, vai trazer uma nova energia, um entusiasmo capaz de contagiar até as equipas mais acomodadas. Todas as equipas ganham com uma boa dose de adrenalina.


2) No entanto, nós enquanto País, sociedade e empresa, não o valorizamos.

a) Se os estagiários são os que muitas vezes elevam a empresa a um nível mais moderno e sofisticado, deveremos devolver-lhes essa mais-valia, pagando-lhes o que eles merecem. Por exemplo, a moda agora é as empresas contratarem estagiários para as Social Media, o que as faz marcar presença na internet e serem mais prestigiadas. Mas, a maioria destes estágios são sem remuneração, pois a mentalidade é esta: conseguir sugar as mais-valias de um jovem sem ter que lhe pagar pelo trabalho que ele está a exercer. E o pior é que isto está previsto na lei: estagio não remunerado em que os jovens pagam para trabalhar, com as despesas diárias, suportadas pelos pais, que muitas vezes poderão estar no desemprego.

b) Nos jornais todos os dias aparecem dezenas de anúncios de “emprego” a pedirem estagiários em determinadas áreas com remuneração adequada às funções. Na sua maioria, durante a entrevista, o estagiário descobre que a “remuneração adequada às suas funções” são apenas ajudas de custo, como o subsidio de alimentação e transporte público. 

c) Todos os dias, o estagiário entra na empresa às 8h55 e nunca nenhum administrador se perguntou como é que ele consegue pagar as contas no final do mês, ao almoço, ao jantar, ou a gasolina do automóvel.

Os estagiários acabaram de sair, na sua maioria, de uma universidade após concluírem a licenciatura, um mestrado e muitos uma pós-graduação.

Os estagiários acabaram de entrar no mercado de trabalho.

Os estagiários acabaram de dar à empresa aquilo que melhor têm: a sabedoria de querer trabalhar, a vontade de serem reconhecidos, o entusiasmo de estar no início de uma carreira.

As empresas estão a passar ao lado milhares de jovens que poderiam salvá-las da falência, da estagnação, da falta de ideias ou mesmo de crescerem mais e melhor, e nem se apercebem disso.

No final de contas, são os estagiários que ajudam as empresas e não o contrário, e devem ser pagos devidamente por isso, com um salário digno da sua humanidade e escolaridade.

Devemos valorizar mais o empenho de um jovem trabalhador: simplesmente porque serão estes estagiários que um dia, no futuro, poderão dar o primeiro emprego a um dos nossos filhos.

Diana Carvalho

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Adapte-se!


A Internet veio para ficar. Os smartphones, os tablets, os portáteis e até os relógios alteraram por completo a forma como acedemos à informação. À rapidez juntou-se a interatividade e a partilha de conteúdos.
A imprensa tradicional teve de adaptar-se, esquecendo-se, no entanto, de adaptar os seus princípios editoriais à nova comunicação digital. Os novos meios de comunicação com presença exclusivamente online são mais ‘transparentes’ e permitem um maior envolvimento dos leitores.
Esta é, de resto, uma das conclusões mais interessantes de um estudo publicado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism.
O estudo “Accuracy, independence and impartiality: How legacy media and digital natives approach standards in the digital age” da autoria da jornalista Kellie Riordan, da Australian Broadcasting Corporation, compara as publicações de origem digital Quartz, BuzzFeed e Vice News e as tradicionais Guardian, New York Times e BBC.
Segundo o estudo, os novos meios online optam por uma informação enquadrada no universo da internet, num ‘tom mais convencional, opinativo e social”, disponibilizando os links para as fontes de informação originais- uma prática muito pouco comum nos meios tradicionais.
A falta de espaço na comunicação online é, à partida, um problema que não se coloca. Como tal, eventuais atualizações de informação, notícias de última hora, direitos de resposta ou correções são perfeitamente toleradas.
 A autora recomenda, por isso, aos meios tradicionais com presença digital que façam uma reflexão para testar se os seus princípios editorais se “ainda são relevantes no século XXI”.
Dulce Salvador

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

«Ganhar» um debate, essa ilusão

Como é que se define o «vencedor» de um debate?

Logo a seguir ao primeiro duelo Costa/Seguro, a pergunta dominava as análises 
televisivas e os primeiros na net sobre o assunto.

«Seguro esmaga». «Costa perde». «Vencedor inesperado». «Empate técnico». Havia sentenças para (quase) todos os gostos (sim, quase, porque se tornava difícil concluir que o ainda presidente da Câmara de Lisboa tivesse ganho de forma clara o primeiro frente-a-frente na corrida à liderança do PS).

«Ganhar» um debate televisivo pode mesmo ser uma perigosa ilusão. E António José Seguro corre esse risco, depois do desempenho de ontem, na TVI.

Valeu-lhe elogios dos analistas e números melhores dos que está habituado a ver noutro tipo de sondagens. Mas sou capaz de apostar que não será suficiente para lhe valer o triunfo no próximo dia 28.
O ainda secretário-geral do PS foi «mais agressivo» que o seu opositor? Correto. Jogou «ao ataque» e conseguiu ditar o tom da peleja e definir os temas que mais lhe interessavam? Certo.

Mas poderá isso garantir a Seguro uma reviravolta inesperada na tendência destas primárias? Não me parece mesmo nada. 

Esta inédita (e por vezes um pouco desconcertante) disputa no PS pela figura (muito discutível do ponto de vista legal) de «candidato a primeiro-ministro» é, pela sua duração, uma prova de fundo. 

E nas provas de fundo ganha quem tem mais consistência e quem comete menos erros. Não quem, num momento (por muito que esse seja um momento marcante e especialmente visível), dispara os trunfos todos que tem (ou pensa ter). 

Seguro teve o mérito da «performance». Combateu a imagem de «cinzentão», foi duro. Mas exagerou no tom da vitimização. Exagerou nas «queixinhas» ao que António Costa fez ou não fez internamente. Exagerou nas «revelações» de reuniões internas que dirão muito pouco ao vulgar eleitor. 

Conseguiu apanhar António Costa de surpresa. Conseguiu explorar o facto do seu adversário, apesar de ter larga experiência televisiva, ter muito pouca experiência de confronto político (que, a nível televisivo, tem regras e técnicas completamente diferentes, nalguns casos opostas, ao tipo de comentário reflexivo, com muito tempo para utilizar e pouco risco de interrupção, a que Costa está habituado, nos últimos anos, na «Quadratura do Círculo».

Mais direto, com um discurso moralista e a roçar até um tom populista, Seguro passou melhor nos segundos contados do frente-a-frente ao vivo na TV.

Mas lamentar-se da suposta «deslealdade» do opositor não é, propriamente, uma ideia que sustente uma alternativa de governo. «Separar os negócios da política» é tão vago como difícil de concretizar. 

Costa optou por manter o caminho da não confrontação até ao limite do aceitável. Não foi especialmente feliz quando elaborou a defesa às críticas que Seguro lhe lançava e passou demasiado depressa pela referência à «herança socratista», que o adversário não se cansou de relembrar («Não conseguimos mudar o passado»).

Mas, curiosamente, o «challenger» do ainda líder, ao terminar o primeiro debate com um registo de discrição por vezes excessiva, passou incólume a erros que pudessem comprometer-lhe no futuro. Ao contrário de Seguro, que no estilo ofensivo caiu na declaração mais perigosa da noite: «Demito-me se tiver que aumentar os impostos».

Provavelmente, uma frase candidata ao prémio «aquilo que os eleitores não gostariam de ouvir de um futuro primeiro-ministro». 

Falta o terceiro duelo (esta crónica foi escrita imediatamente antes do segundo e publicada já depois do frente-a-frente na SIC). E grande parte do jogo que Seguro tinha escondido já foi posto na mesa. Uma análise mais global continua a dar a Costa uma ampla vantagem: a vantagem dos votos (mais de 50% em Lisboa, perante escassos 31% do PS nas europeias); a vantagem dos apoios (uma esmagadora maioria dos «notáveis» socialistas está com Costa, quase nenhum antigo dirigente de topo do PS cauciona a continuidade de Seguro); a vantagem das expetativas (Costa arrasa Seguro nas pesquisas, seja em características de liderança, seja em capacidade de derrotar a direita nas legislativas e até de construir maiorias pós-eleitorais).

Ora, isso é bem mais relevante para a eleição de 28 de setembro do que o desempenho vistoso de Seguro no debate inaugural. 

Em política, é arriscadíssimo falar do futuro, mas é de prever que no debate que falta, Seguro não seja tão agressivo («queimou» boa parte dos trunfos que tinha) e Costa surja com o «media training» mais afinado. 

Mas, já agora: alguém se lembra de como Barack Obama teve um primeiro debate desastroso contra Romney (derrota estrondosa nos «media» e nas pesquisas sobre «quem tinha ganho o debate»), nas presidenciais americanas de 2012? 

Pois bem, um mês depois, o 44.º Presidente americano estava a festejar a reeleição. Que nem sequer foi renhida. 

Germano Almeida














quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Já é possível mudar o mundo?


 Fomos educados que a nossa vida é possível, porque existimos.

É possível porque nascemos, estudamos, temos uma família e amigos e vivemos num mundo real e civilizado, ganhamos e gastamos dinheiro em coisas reais, para viver ou para sobreviver. Tudo isto é possível porque vemos e sentimos. Mas será que o “possível” nos chega?

Muitos de nós diríamos que sim: temos tudo o que queremos. Estamos confortáveis nos sofás que compramos no IKEA, com a TV que levamos da MediaMarkt ou com os pijamas fofinhos que a Zara tinha em promoção. 

Aceitamos sem questionar o que temos, o que nos dão, o que herdamos, o que conquistamos ao longo dos muitos anos desde a velha escola primária, naquela altura em que a madrinha nos deu aquele ursinho carinhoso que nunca mais perdemos de vista. Aquele ursinho, lá no nosso quarto, dá-nos a segurança de que tudo está bem, mesmo com todas as crises e guerras deste mundo, o ursinho sobrevive a todas sempre com os mesmos olhos de ursinho feliz com o País que tem, com a segurança de que nada lhe poderá acontecer: tudo está no sítio em que deveria estar, somos felizes. 

Dão-nos, nós recebemos e guardamos. Check.

Mas a verdade é que todos temos medo que isto mude, o receio de que alguma variável da nossa vida confortável se altere para algo que não queremos, que não desejamos e que não estava nos planos. 

No entanto, a vida não está nunca nos planos, nós não acordamos de manhã, abrimos e agenda e escrevemos: hoje, às 10h45, vou viver. Temos essa garantia de que as 10h45 de hoje vão ser iguais às de ontem, por isso não escrevemos nem sequer pensamos nisso. 

Vemos os nossos familiares a perder o emprego, os nossos filhos a regressar a casa porque não conseguem pagar a renda das suas casas, vemos no telejornal como a fome em África ainda existe, apercebemo-nos de que uma possível 3.ª Grande Guerra Mundial poderá estar a rebentar entre a Rússia e a Ucrânia e, vezes sem conta, vemos e mostramos aos nossos amigos os vídeos do Facebook que mostram como o Estado Islâmico decapita e comete atentados contra cidadãos e cidades. Outros cidadãos. Outras cidades. Mas não contra nós. E, apesar de vermos tudo isto muito superficialmente, dá-nos um medo terrível de morrer, de perder, de deixar de existir, dá-nos medo de “deixar de ser possível”.

Por isso, damos um passo atrás e fingimos que não sabemos que isto acontece: fingimos não saber que existem pessoas que morrem por injustiças, por guerras, por fome. Queremos viver os nossos 80 anos até ao fim, e mesmo que sejam apenas 50 anos, queremos vivê-los bem. Porque temos medo da dor, da perda, do sangue. Temos medo de perder o ursinho que nos deram para sempre.
Mas isto é uma escolha de alguns: recuar é uma escolha.

Há outros que escolhem lutar contra as injustiças, que ensinam os seus filhos a ser mais e melhor. 

Existem pessoas que saem do seu País e vão para o Quénia construir e ajudar nas escolas, como a Diana Vasconcelos, outras vão para a Amazónia ajudar na luta ambiental. 

Temos amigos que foram para o campo de refugiados no Afeganistão acolher aqueles que foram obrigados a sair de suas casas sem nunca saber quando voltar. 

Acima de tudo, existem aqueles que são presidentes, comissários ou representantes de países importantes, que vêm as decapitações que acontecem lá longe e que não toleram estas violações dos Direitos Humanos. 

Porque é impossível aceitar o mundo como ele se está a tornar, eles tomam medidas contra os poderosos nas suas casas de mármore e ajudam os que estão lá a sofrer, sem oportunidades de viver. 

São estas pessoas que fazem a diferença, as que escolhem tornar o nosso mundo melhor, porque fechar os olhos é fácil e confortável, mas isso não faz nada, a falta de acção é isso mesmo: nada, zero, vazio, é desculpar uma ameaça. 

Mas, optar por ajudar, é não deixar de existir. Optar por mudar é mostrar que existimos, somos reais, e fazemos a diferença. 

É possível fazermos a mudança, sim custa-nos imenso, vai ser necessário criarmos recursos que ainda não temos, teremos que arregaçar as mangas e iniciar algo que ainda não fizemos antes. 

Mas é possível mudar o mundo.


Nós sabemos que é possível existir pois somos a prova disso. Estamos num País seguro, acordamos e adormecemos. Mas, no final do dia, noutros locais remotos do mundo, eles acordam e pensam: hoje, às 10h45, ainda estou vivo.

Diana Carvalho